Começamos mais um ano. Todo começo vale a pena. O caminho pode ser longo, difícil e, talvez, até mesmo desconhecido. Mas o que vale é estar no caminho.
Para representar isto, escolhi esta foto do aterro, bem no fim dos anos 50. Era o começo do tráfego por lá. Vê-se que era um começo bem tosco. Tanta coisa ainda para ser feita...
Hoje sabemos que valeu a pena. Pode haver avaliações divergentes, mas o aterro é um dos grandes patrimonios de nosso Rio de Janeiro. Com tudo o que ele tem, de bom e de ruim.
Mais importante, ainda, nesta foto, é a época. Época de esperança sem fim, de renovação, de otimismo, de mergulho de cabeça na aventura, no novo, no crescimento. Quem viveu aquilo sabe do que estou falando.
Para o Rio, então, entrada na década de mais e melhores obras.
Que, a partir deste Ano Novo, ressurja, de algum lugar, para todos nós, a energia de tentar e de conseguir, a força de começar e continuar, a alegria de fazer certo e de se orgulhar do que se fez! Não sós, mas de braços dados com outros com o mesmo ânimo! (Foto na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - Distrito Federal - IBGE - 1960)
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 01/01/2008
Os flogs Saudades do Rio e Outstanding nos trouxeram uma excelente viagem no tempo, acompanhando o Mosteiro de Santo Antonio ao longo do Século XX.
Trago mais algumas imagens, para ajudar nesta viagem.
1 - "Panorama da cidade do Rio de Janeiro, tomado do adro da Igreja de Santo Antônio. Vista do chafariz da Carioca e, ao fundo, do Castelo. Desmons" (in História Ilustrada do Rio de Janeiro, da Ediouro, em 1981). Um ângulo pouco usual, feito com precisão de perspectiva e detalhes. Dá uma ótima visão do que seria o Morro do Castelo, em meados do século XIX.
2 - "Freguesia de Santo Antônio - Convento de Santo Antônio - Col. D.P.H.A.N." (in Freguesias do Rio Antigo vistas por Noronha Santos, da Edições O Cruzeiro, em 1965). Foto muito parecida com a mostrada por Luiz D' no Saudades do Rio . Provavelmente anos 20 ou 30.
3 - "Aspecto do Convento e Igreja de Santo Antônio, construídos por frades franciscanos em terrenos a eles doados em 1607. A igreja foi construída em 1617, e o convento em 1761, sendo portanto um dos mais antigos da cidade." (in Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - XXIII Volume - Distrito Federal, do IBGE, em 1960). Foto que já mostra o Largo da Carioca com sua vocação atual de deserto de cimento. Nesta época, o Morro de Santo Antônio ainda estava sendo arrasado. O mobiliário urbano do Largo era absolutamente novo.
4 - "O Largo da Carioca, em pleno coração da cidade do Rio de Janeiro, foi um dos logradouros mais afetados pelas obras de construção do Metrô, onde atualmente funciona a sua principal estação." (in História Ilustrada do Rio de Janeiro, da Ediouro, em 1981). Já quase com o traçado atual, mas, onde hoje temos tanto "comércio informal", tínhamos o estacionamento abusivo dos automóveis em cima da maior parte das calçadas disponíveis.
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 17/11/2006
Do século XIX até a década de 60, a Ilha das Flores foi usada como hospedagem inicial (quarentena) para os imigrantes que chegavam ao Brasil pelo Rio de Janeiro. Esta ilha fica junto ao litoral de São Gonçalo, junto ao antigo Porto de Neves. Hoje, ligada a Neves, é uma península, que pode ser vista da estrada Niterói - Manilha, e é usada pela Marinha do Brasil. Em alguns momentos, nas décadas de 30 e de 60, a ilha foi também usada como prisão especial.
Trago algumas fotos para atender ao pedido de Virginio, um dos comentaristas no Rio Hoje, do Rafael Netto.
Estas fotos foram publicadas em 1950, na revista Brasil Constrói, do Ministério de Viação e Obras Públicas, com a seguinte legenda: "O Govêrno preocupa-se em dispensar um tratamento fraternal aos trabalhadores de outras terras que aqui vem emprestar a sua colaboração ao progresso do Brasil. E a Ilha das Flôres, situada num dos mais agradáveis recantos da Baía da Guanabara está sendo remodelada e ampliada para recepcionar os novos imigrantes, alguns dos quais ali vemos aguardando o cumprimento das formalidades comuns para depois seguirem em busca das terras generosas e férteis que escolheram."
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 05/11/2006
A tecnologia (ou os problemas da tecnologia) me forçaram a um atraso, mas não deixo de trazer a homenagem ao Cristo Redentor, que completou 75 anos no dia 12.
A primeira foto mostra o monumento em toda a sua dimensão, lá por 1960. Depois, duas fotos da construção, uma que mostra a estrutura temporária (andaimes) e parte da estrutura interna do próprio monumento e outra que documenta a escala grandiosa, representada pelos 3,75 metros e 30 toneladas da cabeça. Lá embaixo, uma praia de Botafogo ainda com o Pavilhão de Remo e o aterro recente para a formação do bairro da Urca.
Uma nota: uma das razões para minha escolha da primeira foto é destacar a antiga iluminação, que eu tenho a impressão de que era muito mais eficiente do que a atual, que dá um efeito fantasmagórico ao nosso querido símbolo.
Um aspecto da inauguração que parece que ficou um pouco esquecido nestas comemorações foi a forma de acendimento da iluminação, que representou algo da mais avançada tecnologia, na época:
"O Senador Guglielmo Marconi, cientista de fama mundial, inventor do telégrafo sem fio, em resposta à solicitação do Sr. Assis Chateaubriand, Presidente dos Diários Associados, feita através da Embaixada da Itália, concordou em inaugurar naquela hora (que depois sofreu sucessivos atrasos) a iluminação do Cristo, de bordo de seu iate Electra ancorado na Baía de Nápoles, através das ondas hertzianas, em circuito via Inglaterra, da Companhia Rádio Brasileira.
Apertou ele um botão e o sinal elétrico veio até o Rio de Janeiro, chegando, porém, bastante fraco à estação receptora de Taquara (Jacarepaguá). Resolveu então o engenheiro Gustavo Corção amplificá-lo para que alcançasse o escritório da Radiobrás no centro da Cidade. De lá, o impulso elétrico foi enviado ao topo do Corcovado, pelo Dr. Austregésilo de Athayde, após nova amplificação.
Exatamente às 19:15, a face do Cristo Redentor apareceu iluminada entre as nuvens escuras.
O Monumento era motivo de satisfação e de orgulho para todo o Brasil, que o admirava como realização material e o venerava pelo seu maravilhoso simbolismo." Jorge Scévola de Semenovitch, ver créditos abaixo
Não quis deixar de também lembrar os trens da Estrada de Ferro do Corcovado. Ofuscada, este ano, pelo aniversário do Monumento, a estrada, assim como o Hotel das Paineiras, completou 122 anos no dia 09 de outubro. Trouxe, então, uma composição que mostra os três tipos de trem que serviram na EFC. O primeiro, a vapor, com locomotivas Esslingen Emil Kessler (suíças) e Baldwin (EUA), operou de 1884 a 1910, quando a linha foi eletrificada. A segunda composição operou por mais de 65 anos, até ser substituída, em 1978, pelos atuais, do mesmo fabricante, SLM - Swiss Locomotive and Machine Works, do grupo suíço Sulzer. É interessante ressaltar que o Eng. Francisco Pereira Passos, a quem o Rio de Janeiro tanto deve, foi o principal dirigente do empreendimento da construção, desde a apresentação da idéia ao Imperador D. Pedro II até depois da inauguração e complementação , com a presença do mesmo D. Pedro.
(A primeira foto foi publicada na "Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - XXIII Volume - Distrito Federal", editada pelo IBGE em 1960. As demais fotos e o texto destacado foram publicados em "Corcovado A conquista da montanha de Deus", de Jorge Scévola de Semenovitch, editado pela Editora Lutécia em 1997. A CEIPN, mencionada nas legendas, é a Coordenadoria das Empresas Incorporadas ao Patrimônio Nacional.)
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 14/10/2006
O flog "Nada de Mais" mostra um cartão excepcional do Palácio Monroe e de um pedaço do Passeio Público e da Beira-Mar. Vamos aproveitar a "deixa" e ver um pouco mais do Passeio Público.
A primeira foto, acima, de cerca de 1906, mostra os dois torreões do "calçadão" que foi feito em frente ao Passeio, para o público aproveitar a vista do mar, do Pão de Açúcar e da entrada da Baía de Guanabara. Estes torreões foram demolidos para a construção dos teatros gêmeos Theatro Casino e Casino Beira-Mar, inaugurados em 1926 (ver post do Luiz D' em 02/09/2006 e meu em 04/06/2006). Os carros que passam são um destaque, dos mais antigos que circularam no Rio. Malta deve ter perdido o negativo do original desta foto, porque fotografou uma ampliação, e colocou um segundo número.
A segunda foto, de 1924, mostra um ângulo menos comum nas fotos do Passeio Público. É a esquina da Rua Mem de Sá, com um cruzamento complicado de linhas de bonde. O bonde que dobra em direção à praia, com 2 reboques, é o "IPANEMA IV". O conjunto de casas à direita é, provavelmente, o Silogeu Brasileiro, que abrigou a Academia Brasileira de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A carroça que passa, com uma roda enorme, é de um tipo muito usado pela Limpeza Pública. Gosto muito da espontaneidade desta foto - os guardas não estão "posando" e temos um verdadeiro flagrante de garotos atravessando a rua, descalços como o Presidente Juscelino era, nesta idade. (Fotos de A. Malta, publicadas em "Fotografias do Rio de Ontem", da Prefeitura do Rio de Janeiro)
A última foto é daquelas que fazem a gente gastar horas... É quase um mapa. Não vou nem tentar descrever, porque não acabaria tão cedo. Divirtam-se. A data é entre 1911 - demolição do Convento da Ajuda - e 1921 remoção do "varieté" (sic André Decourt) que ficou em seu lugar. Vou destacar só os jardins do Palácio Monroe, lembrados em post do André Decourt. (Foto publicada em "Rio de Janeiro Ontem e Hoje", da Guanabara Produções, sem crédito destacado, mas muito provavelmente da Aviação Naval, que foi oficialmente criada em 1916)
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 18/09/2006
Vamos continuar a série feita pelo Derani no Rio de Fotos, nos dias 04/set, 05/set, 06/set e 08/set.
Esta primeira foto é muito parecida com a foto mostrada em 06/set pelo Derani. Feita pelo mesmo Malta, a partir do mesmo lugar, mas em data bem diferente. Esta foto é de 21/abril/1922, durante manifestações em homenagem a Tiradentes. Aqui, as árvores estão muito mais desenvolvidas do que na foto mostrada pelo Derani. Mas, nas fotos dos anos 50 (quase 40 anos depois) mostradas pelo Derani, as árvores estão ainda mais "tímidas"...
Esta homenagem a Tiradentes acontecia no ano do Centenário da Independência, durante a gestão de Carlos Sampaio na Prefeitura, ano de eleições disputadas para a Presidência, enquanto a cidade era preparada para a Exposição.
A segunda foto mostra parte da homenagem, agora diante do Real Gabinete Português de Leitura (ver os Comentários - o prédio, na verdade, ainda não está identificado). O crédito da foto atribui a manifestação aos Positivistas. Na terceira, a homenagem continua, com as devidas autoridades, diante da estátua de D. Pedro I (ver correção nos Comentários - na verdade, é o Relógio da Carioca, e não a estátua de D. Pedro I). O dito "A sã política é filha da moral e da razão", atribuído a José Bonifácio, era muito usado pelos Positivistas.
A última foto é muito mais antiga, atribuída ao período de Pereira Passos (1902 a 1906), mas o carro que passa parece ser uns 10 anos posterior. Mostra um dos muitos banheiros públicos que foram instalados naquela época, como parte dos planos de higienização e "civilização" da cidade.
>(Fotos publicadas em "Fotografias do Rio de Ontem", editado pela Prefeitura do Rio de Janeiro)
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 08/09/2006
Este é o antigo Palácio da Prefeitura, demolido para a passagem da Avenida Presidente Vargas, e tema do post de André Decourt há uns poucos dias (ver no "foi um Rio que passou").
Para ajudar na localização da antiga Prefeitura, o prédio de dois pavimentos, à esquerda das 2 fotos, é a Escola Rivadávia Correia, até hoje no mesmo local, bem à vista do Palácio Duque de Caxias, entre o Palácio do Itamaraty e a Presidente Vargas. O prédio desta escola era, na época da primeira foto, a Escola Normal.
A segunda foto, feita por Malta em 13/11/35, mostra as obras da reforma mencionada por André Decourt, reforma esta ainda recente quando o Palácio foi demolido. (Caso alguém esteja curioso, a placa nos andaimes parece indicar "Alberto Haas")
Abaixo, um detalhe mais "íntimo" da reforma, também documentado por Malta, meses antes da foto anterior (31/01/35), que parece ser localizado justamente atrás da placa que acabei de mencionar.
A foto que vem depois mostra parte da área demolida para construção da Presidente Vargas. Ao fundo, o único prédio ainde de pé parece ser justamente o Palácio da Prefeitura...
Uma última foto: a construção, anos depois, do Edifício Estácio de Sá, também mencionado pelo André Decourt. Uma das características deste prédio é um pé direito impressionante em cada um dos andares.
Créditos: Foto 1 - Marc Ferrez, Coleção Gilberto Ferrez, em "Freguesias do Rio Antigo vistas por Noronha Santos", organizado por Paulo Berger e publicado em 1965 pela Edições O Cruzeiro. Fotos 2 e 3 - A. Malta, publicadas em "Fotografias do Rio de Ontem", da Prefeitura do Rio de Janeiro. Foto 4 - Publicada em "O Homem e a Guanabara", de Alberto Ribeiro Lamego, 2a Edição, em 1964, pelo IBGE. Foto 5 - Revista "Brasil Constrói", 1949.
Continuo com a Panair, mas, agora, bem longe do Rio de Janeiro. As fotos de hoje mostram a Panair operando os hidroaviões Catalina na floresta amazônica (O Catalina era um hidroavião americano, muito ativo nas décadas de 40 e 50,, apelidado carinhosamente de "Pata Choca", que foi fundamental para o desenvolvimento da amazonia). Com o fechamento da empresa, esta tarefa passou a ser feita exclusivamente pela FAB (também com o Catalina), até que as linhas do norte pudessem ser exploradas comercialmente por outras empresas privadas.
A primeira foto mostra o Catalina na escala em Belém. A seguir, a descarga em uma barranca de rio, o Catalina "taxiando" (??) na água e um detalhe da proa do "aerobote", junto a mais uma barranca.
Todas estas fotos foram publicadas na revista Brasil Constrói, do Ministério de Viação e Obras Públicas. As 2 últimas fotos são a capa do número 8 desta revista, de 1950, mostrando um típico pôr-do-sol amazônico, e, para concluir, um flagrante de um posto avançado de manutenção, em plena floresta - notar que o fotógrafo usou filtro pesado, que alterou o tom das "cores" do céu e das árvores.
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 22/08/2006
Aí está um dos Constellations da finada Panair "ao regressar de uma viagem à Turquia". Sobrevoando um Rio de Janeiro ainda sem o Aterro do Flamengo, já que a foto é de 1950.
A Panair ainda tinha muito o que crescer, até desaparecer em 10 de fevereiro de 1965, por despacho do Brigadeiro Eduardo Gomes, Ministro da Aeronáutica de Castelo Branco.
Na continuação, um close do mesmo avião e uma tomada de um Constellation pousando na pista do Aeroporto do Galeão (algum comentário do Celso Serqueira?).
Como que para atestar que a Panair realmente ia à Turquia, vem, a seguir, uma foto do balcão em Istambul.
A última foto é das instalações de manutenção da Panair no Santos Dumont. Mais uma vez, o Constellation é estrela. Interessante constatar que este avião, um dos mais modernos da época e capaz de vôos transatlânticos, pousava sem problemas na antiga pista do Santos Dumont, acho que ainda menor que a atual.
(Não consigo, também, deixar de notar a matrícula "perigosa" do Constellation das primeiras fotos: PCB !!?? Vai ver foi por coisas assim que acabou como acabou.)
Este post é dedicado ao flog "Voando para o Rio", que está chegando ao final de um longo périplo através da história dos Zeppelins. Estamos todos curiosos sobre o tema da próxima fase. Parabéns, JBAN!
Todas as fotos foram publicadas na revista Brasil Constrói, do Ministério de Viação e Obras Públicas, em 1950.
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 15/08/2006
Consegui me organizar o suficiente para poder voltar a postar. A duras penas, vinha conseguindo pouco mais do que acompanhar, de vez em quando, os posts dos amigos. Mudança longa, muita arrumação, internet nova, cheia de bloqueios, lenta, etc, etc, etc... Mas, vamos ao que é bom.
Inspirado no excelente trabalho do velho e bom "História dos Bairros", mostro um pouco da Saens Peña. Primeiro, uma vista aérea, nos anos 60, ainda na época áurea da praça, cinelândia em bairro residencial, e o equivalente dos anos dourados aos shoppings de hoje. Destacam-se nesta foto o lago da praça e o tão famoso cinema Olinda (referência à série que o Luiz D' vem mostrando nos últimos dias).
Encerrando o mesmo volume, dedicado ao bairro da Tijuca, publicado em 1984, pela João Fortes Engenharia e Index Editora, a dupla Marcelo (Braga Vasconsellos) e Ruby (Yallouv) preparou uma série de ilustrações baseadas em fotografias e documentos, retratando a evolução da Praça Saens Peña, desde 1826. Estas ilustrações formam um documento histórico-artístico, ao qual rendo minha homenagem, como uma das melhores idéias que já vi em livros de história urbana.
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 06/08/2006