Mando este post rápido somente para complementar a discussão no Rio de Fotos, do Derani, sobre o Cineac Trianon e a Rua da Ajuda.
Esta é uma foto de Malta, feita em 29/07/1930. O prédio do que viria a ser o TNC e Teatro Glauce Rocha já está aí, embora sem os característicos "brise-soleil". Era, realmente, de um conceito arquitetônico muito avançado para a época.
O curioso é que o Parisiense, que era cinema, passou a ser teatro e o Trianon, que era teatro, passou a ser cinema.
No Teatro Rialto: Manolesco, com Brigitte ???? e Ivan M??jurin. No Cine Parisiense: Minha Mãe, com Al Jolson (compositor das músicas). No Teatro Trianon: Duplo Amor
(Foto publicada em "Fotografias do Rio de Ontem")
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 30/05/2006
Posto hoje 2 fotos da Iha do Governador, feitas no dia 06/04/1929. A ilha foi mostrada pelo Luiz D' no Saudades do Rio e mereceu uma aula de história dada pelo Celso Serqueira, do excelente flog Mapas Antigos.
A primeira foto, acima, mostra as obras da Estação de Barcas da Ribeira. É importante lembrar aos mais novos que até meados da década de 50 não havia ponte para a Ilha do Governador, que só podia ser alcançada por barco. Como faziam, aliás, meus pais, que tiveram lá sua primeira casa, recém-casados, em 1948.
Detalhes interessantes a destacar são o bonde, com reboque (no fundo, à direita), o bate-estacas a vapor e uma cábrea (guindaste flutuante) provavelmente feita no local.
A segunda foto, abaixo, mostra obras de saneamento no "Sacco da Rosa". Em meio a uma paisagem absolutamente rural, com plantações nos morros.
Deixo para o especialista e amante da Ilha, Celso Serqueira, fazer novas descobertas nestas fotos.
Quanto à história, lembro que a Ilha do Governador, onde aconteceu a batalha final entre franceses e portugueses (e os índios aliados de cada lado) no século XVI (comentados pelo Celso no Saudades do Rio), foi ainda palco de combates, no final do século XIX. Durante a Revolta da Armada (1893/94), o Coronel Moreira Cesar retomou e manteve a Ilha, que vinha sendo usada pelos revoltosos com principal base de apoio logístico. E passou a atirar, com canhões, em alguns dos navios revoltados, obrigando-os a mudarem o ancoradouro mais para o fundo da baía. Moreira Cesar, talvez o oficial do Exército que mais se envolveu em combates e revoltas, fora de tempo de guerra, (era, na verdade, tido como um carniceiro) morreria em 1897, no comando de um dos ataques frustrados a Canudos.
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 30/05/2006
Mostro, hoje, fotos sobre o mesmo tema e mesma época, com alguns aspectos pitorescos e até surpreendentes.
A foto acima foi feita pelo mesmo Malta, quase no mesmo lugar, mas 3 anos antes, e na direção da Pedra do Bahiano, que aparece ao fundo, à direita. Vejam bem: Leblon com vaquinhas pastando no areal. E alguns homens trabalhando na lama. Talvez caçando caranguejos, siris ou corruptos?
Em frente da Pedra passa uma fiação, que talvez esteja no atual traçado da Av. Ataulfo de Paiva.
O cuidado com o planejamento da infaestrutura urbana é demonstrado pela pequena adutora que já passava por trás da mureta da ponte. O bairro quase não existia, mas já tinha abastecimento de água. Outros tempos. Vejam, aliás, que, em 1919 ainda não se via os trilhos que aparecem na foto de 1922 mostrada pelo Luiz D'. Se olharmos bem nesta foto do Luiz veremos que os fios, provavelmente do bonde, estão sendo instalados. Vejam os fios baixos e um técnico no alto do poste.
Na foto acima, a Pedra do Bahiano dá até uma certa impressão de ser uma duna. Mas, na foto a seguir, que acho que é uma das fotos mais surpreendentes do Leblon, vê-se que a Pedra do Bahiano era bem pedra, para ninguém botar defeito. A pedra desce direta, íngrime, para dentro da água da lagoa. Dentro desta água que vemos aí ficam, hoje, igreja, teatro, casas de show, Selva de Pedra, Cruzada São Sebastião, Clubes Paysandu, Monte Líbano e AABB, posto de gasolina e a parte náutica e prédio-sede do Flamengo. O novo shopping, em construção, encobrirá a pedra definitivamente.
A foto é de Malta, feita em 21/12/1921. Ressalto, como curiosidade, que Malta anotou "T. da pedra da bahiana", e não Bahiano.
Para o lado de Ipanema, a restinga era mais larga, mas também foi feito um certo aterro. Pode se ver o alinhamento projetado para o aterro, com um guindaste trabalhando bem na extremidade.
A quantidade de aterros nesta época foi muito grande. Principalmente do outro lado, mas, como vemos, aí no Leblon e em Ipanema, também.
Para ajudar a localizar a Pedra do Bahiano, coloquei mais uma foto, que, na verdade, é um detalhe de uma foto de Malta, feita provavelmente na estrada das Paineiras. A data atribuída é 1919, mas tenho algumas dúvidas.
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 27/05/2006
Vemos aqui um "instantâneo" tomado por Malta durante a bênção do Mercado Municipal, no dia de sua inauguração, 14 de dezembro de 1907, depois de 4 anos e meio de obras. (Publicada em "Fotografias do Rio de Ontem)
Por ser um grupo tão pequeno, imagino que esta bênção deve ter ocorrido um pouco antes da cerimônia oficial, com os portões ainda fechados. A inauguração teve a presença do Presidente da República, Afonso Pena, e do Prefeito do DF, Francisco Marcelino de Souza Aguiar. Imagino que com um público de bom tamanho.
Poucos de nós tivemos a oportunidade de ver este mercado, muito menos por dentro. E estes poucos que o conheceram por dentro, certamente nunca o viram tão limpo.
É interessante para conhecermos alguns detalhes, como as estruturas metálicas desta obra, cuja demolição sempre foi tão polêmica. Nas cadeiras de bar, deste modelo que só foi aposentado pelas cadeiras de plástico, publicidade da Brahma-Porter e da Teutônia.
Abaixo, vemos o grande momento da polêmica, em 1960 ou 61: a Via Perimetral já em operação (mas indo só até a Av. Pres. Vargas), com boa parte do Mercado ainda de pé (exceto a grande torre central), mas já sendo desmontada. Desta estrutura, sobreviveu apenas a torre mais à direita, que é hoje o restaurante Albamar. Em primeiro plano, um pedaço do então Ministério da Agricultura, antigo Pavilhão dos Estados na Exposição de 1922, cuja demolição também foi absolutamente desnecessária. (Foto publicada em "Rio de Janeiro - Ontem & Hoje 2", de Alberto A. Cohen, Sérgio A. Fridman e Ricardo Siqueira - 2004)
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 22/05/2006
Para complementar a foto tão simpática do Hotel de France postada em Saudades do Rio, mostro um outro ângulo, feito por Marc Ferrez em 1895, e tomado do Morro do Castelo.
Apesar de um pouco encoberto pelo convento do Carmo e pelas árvores de Mme de la Frusca, pode-se ver quase todo o hotel, com seu terraço, parcialmente coberto à esquerda. Na fachada, escrito: "Grand Hotel e Restaurant de France", com um curioso "e", em português e não "et" em francês.
Um pouco mais à direita, o tão falado e querido Arco do Teles. Em primeiro plano, uma simpática Empena Cega, dos tempos do coléra.
Mas a qualidade das fotos de Ferrez era tão extraordinária que toda esta tomada, com tão boa definição, considerando-se os 111 anos, não passa de um detalhe de uma foto que vocês verão que é muito maior.
Vejam na foto abaixo uma vista mais ampla, que já alcança o chafariz de Mestre Valentim e o Mercado da Candelária. Vê-se, também, no meio da praça o monumento ao General Osório (na verdade ex-panteão - veja), com seu gradil apoiado em pequenos canhões. À direita, o Paço Municipal.
(Ainda não terminamos)
Vamos, então, a uma vista ainda mais ampla. Avisei que Marc Ferrez era preciso. Esta foto foi publicada em "A Marinha por Marc Ferrez - 1880-1910", editado em 1986 por Editora Index e Estaleiro Verolme. A legenda da foto é: "Trecho do Centro da Cidade c. 1895 - (Foto tirada do morro do Castelo) - Em primeiro plano, o Largo do Paço e seu entorno: à esquerda, as torres da igreja da Ordem Terceira do Carmo, e da Capela Imperial, os fundos do Convento do Carmo, o arco do Teles; mais à direita, o Paço visto por trás, a Rotunda (onde foram expostos painéis de Victor Meirelles), a igreja de São José e a Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Ao fundo, a ilha das Cobras, com instalações do Arsenal de Marinha, em sua parte baixa, e do Hospital de Marinha (ao alto) e o conjunto da fortaleza de São José, que abrange os antigos fortes de Santa Margarida, Santo Antonio e do Pau da Bandeira (séculos XVII a XVIII)."
Observem, ainda, a Cadeia Velha e, quase escondida, a estação das barcas.
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 18/05/2006
Partindo das fotos do Francisco Patrício publicadas ontem no Saudades do Rio, andamos 20 anos no tempo, e, com o mesmo fotógrafo Malta, estamos na mesma de São Clemente com a Praia de Botafogo.
Por incrível que pareça, ainda vemos, em 1928, uma das carroças que fizeram tanto sucesso na foto de ontem, de 4 rodas, estacionada. Como nos tempos do faroeste.
Esta tomada está particularmente bem preservada até hoje, pronta para mais uma das comparações tão úteis do Rafael Netto. A primeira casa foi demolida, como dito no Saudades do Rio, dando lugar à pequena praça com nome grande. Só que, observando com cuidado, percebi que a primeira casa, na foto de ontem (com os "annuncios" da Leal Santos) é, na verdade, a casa que vem logo a seguir da praça, e que foi ocupada por tantos anos pela Pneus Sola. Na foto de 1908, Malta evitou enquadrar a primeira casa.
Cinco casas mais adiante, a Casa Torres, com suas 2 torres metálicas (ainda estavam lá alguns anos atrás). No cartaz: "Casa Torres - Ferragens - Telhas Louças". A vocação de materiais de construção já estava aí.
Vale a pena observar os toldos nas lojas comerciais. Recurso necessário nos tempos em que ainda não tinham inventado o ar condicionado (e um prato cheio para um certo Sr. Delacroix).
Já que estamos em Botafogo, que tal ver a próxima esquina?
Segue uma foto, do mesmo Malta, feita em 1933, que retrata a esquina da Rua "dos" Voluntários da Pátria, também na Praia de Botafogo. Esta é outra tomada que ainda tem, hoje, muitos elementos reconhecíveis.
Fica a provocação para o Rafael...
Tive a curiosidade de ver o que está escrito na fachada vizinha ao cartaz da Caxambú: parece ser "Salão Beira Mar".
(Fotos publicadas em "História dos Bairros - Botafogo" - Index Editora/João Fortes Engenharia - 1983.
Rafael, para evitar o "moiré", tive que escanear a 600 dpi.)
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 17/05/2006
Este vídeo vai em homenagem óbvia ao JBAN, do "Voando para o Rio". Vejam bem que a homenagem é tão óbvia que o nome do filme é "Flying Down to Rio".
O filme está em resolução muito baixa. Este e muitos outros filmes podem ser comprados em resolução mais alta da própria British Pathé. Ou baixados nesta resolução, de graça.
Estou testando este recurso do Globolog. Boa sorte a quem quiser tentar, por que o vídeo vale a pena...
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 14/05/2006
Hoje, levados pelo Derani, pelo Luiz D' e pelo Rafael Netto, fomos à Tijuca. Trouxe estas 3 fotos para atender às saudades da Ana Lúcia, comentadas lá no Rio de Fotos do Derani:
"Quem me dera voltar no tempo, à elegante Praça de minha infância. Hoje,no lugar do Metro Tijuca, a C&A, E, infâmia das infâmias, no lugar do prédio lindíssimo dos Correios e Telegraphos, esquina oposta à Granado, que foi demolido pelo Metrô (junto com o Mercadinho S.Sebastião, que tinha a idade do bairro) e que hoje é um ...ai, meus sais! Um Camelódromo! Socorro!" (Data vênia, Mme Frusca)
As 3 fotos são tiradas mais ou menos onde o fotógrafo estava quando fez a foto que o Derani mostra. Só que, agora, vemos o lado oposto, de costas para a Saens Peña. Nas 3 fotos, o "prédio lindíssimo dos Correios e Telegraphos". Este prédio já no século XX, foi convento provisório tanto para as monjas da Ajuda como para os Capuchinhos, ambos despejados pela avalanche de reformas no Centro (Cinelândia para a Ajuda e Morro do Castelo para os Capuchinhos). Fotos publicadas em “História dos Bairros – Tijuca”, da Index Editora e João Fortes Engenharia em 1984.
As 2 primeiras fotos são de pouco antes e pouco depois da abertura da rua que veio a se chamar Almirante Cochrane. Notar que, na segunda foto, Malta anotou "Av. Mariz + Barros. C. Bomfim". A terceira foto é atribuída aos anos 50. No local da loja que se encontra em "Liquidação Final" na segunda foto, foi construída a Casa Granado (mencionada hoje 6 vezes no Rio de Fotos), que, até que enfim, se mostra um pouco, na terceira foto.
Acrescento, abaixo, uma quarta foto, feita por Malta em 1931, com tomada da Alte. Cochrane em direção à Conde de Bonfim. Aí está, mais uma vez, mas agora visto pelo outro lado, o mesmo prédio histórico. Foto publicada em "Fotografias do Rio de Ontem".
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 11/05/2006
Esta imagem é o resultado da superposição de uma imagem do Google Earth com o traçado do mapa de um Guia Rex da década de 40.
Preparei para ajudar o entendimento das fotos da Rua do Catete e Largo do Machado, principalmente referentes ao Lamas e ao Cine São Luiz, que têm sido mostradas em foi um Rio que passou, Rio Hoje e Coisa Lúdica. Para faciliatar um pouco, marquei o atual Edifïcio do Cine São Luiz em amarelo.
Embaixo, uma aproximação um pouco maior.
Curiosidades: - Denominação do Largo do Machado, no Guia Rex, ainda era Praça Duque de Caxias. - A Rua Min Tavares de Lira, ligando o Largo do Machado à Conde de Baependi, ainda não existia. - A Rua do Pinheiro é uma pequena ligação entre as Ruas Machado de Assis e Dois de Dezembro. Mas cuidado com referências mais antigas à Rua do Pinheiro, por que este era o nome anterior da Rua Machado de Assis, e não apenas desta ligação.
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 10/05/2006
Largo da Misericórdia, em Dezembro de 1921, fotografado por Malta.
Esta é a foto referida por André Decourt em foi um Rio que passou. Aí estão a estátua e o poste que serviram para ele de referência.
Ao fundo, à direita, começa a subir a estrutura em concreto armado do que será o Pavilhão dos Estados da Exposição de 1922 e, depois, Ministério da Agricultura.
À esquerda, um pequeno pedaço da fachada da igreja da Misericórdia. Um pouco escondida atrás da estátua e da árvore, está o começo da ladeira da Misericórdia, que tem alguns metros preservados até hoje.
A Rua da Misericórdia seguia em frente, com uma pequena curva à esquerda logo depois da ladeira, passando defronte da igreja de São José e aí, por assim dizer, passando a ser chamada Rua Direita (atual 1 de Março).
(Esta foto faz parte de uma série sobre o Pavilhão dos Estados que estou preparando no Flickr.)
Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 09/05/2006