Rio Antigo, e outras mais...
  04/12/2008
Ainda 1860...





Uma última foto do Klumb, da década de 1860.

Esta também foi publicada do mesmo livro Revert Henrique Klumb, de Pedro Karp Vasquez, que faz parte da Coleção Visões do Brasil, publicada pela Editora Capivara em 2001.

A legenda localiza a foto na “região portuária”. Mas acho que podemos ter a certeza de que se trata da mesma obra que mostrei nas 2 fotos anteriores – estação da City, de tratamento de esgoto, na Praia do Russel (atual SEAERJ), embora tenha sido feita em data anterior à primeira foto. O prédio tem tudo em comum com a obra mostrada nas outras fotos. E, procurando bem, acima das árvores, podemos ver parte da torre sineira – incluindo o sino – de uma igreja, que deve ser a Igreja de N. Sra. da Glória do Outeiro.

Seria um erro de identificação? Ou será que, em 1860, esta região era considerada como “portuária”? Afinal de contas, o Rio não tinha Cais do Porto, nesta época, e todos os embarques e desembarques eram feitos através de pequenas embarcações. O próprio “tratamento” do esgoto consistia em embarcar o “material” em pequenas “barcas d’água”, que o levavam para o mar.

Um pouco mais adiante, em algum lugar próximo à Praia de Santa Luzia, ficava a Praia de Espanha, que era porto de embarque e desembarque e que talvez tenha dado o nome à cidade de Mar de Espanha, em Minas Gerais (onde nasceu, aliás, uma das minhas bisavós).




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Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 04/12/2008
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  03/12/2008
E lá da Glória, o que se vê?





Ainda estamos, como ontem, na Glória de cerca de 1860, documentando a construção da estação de esgoto da City. Mas, agora, o fotógrafo Klumb resolveu guardar, para nós, como era a vista em direção ao Morro do Castelo e o centro da cidade.

Bem no centro da imagem, a igreja de Santa Luzia, junto ao mar, como ficaria por muitas décadas ainda, mas com apenas uma de suas atuais 2 torres. A segunda torre foi construída ainda antes do fim do século XIX. Um pouco mais à direita, a Santa Casa de Misericórdia, com destaque para sua cúpula central, que pouca gente sabe que existe, já que a Santa Casa não pode mais ser vista de longe.

Um detalhe que hoje é quase uma ironia: o material de construção é descarregado, por pequenos guindastes manuais, diretamente de balsas, no mar. Se, hoje, alguém tentasse uma foto do mesmo ângulo (Rafael?), nem um único pedaço de mar apareceria. Aliás, na mesma foto, não poderíamos ver nem a igreja de Santa Luzia, nem a Santa Casa, escondidas por trás de prédios já sexagenários.

A foto, incrível, como a de ontem, em muitos aspectos técnicos e artísticos, é de R H Klumb, e está publicada no livro Revert Henrique Klumb, de Pedro Karp Vasquez, que faz parte da Coleção Visões do Brasil, publicada pela Editora Capivara em 2001.



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Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 03/12/2008
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  02/12/2008
Máquina do Tempo





É absolutamente irresistível ver uma foto que capturou um momento do cotidiano de quase 150 anos atrás. E, ainda, por cima, reconhecer, nesta foto, referência que podemos ver e tocar ainda hoje.

Este prédio que estava sendo construído cerca de 1860 destinava-se ao tratamento e bombeamento de esgoto. Como em tantas outras coisas no Segundo Império, o Brasil se colocava na vanguarda tecnológica do mundo. A obra era iniciativa do Sr Russell, que morava aí perto, e acabou dando seu nome à praia que ficava à direita desta foto.

Hoje em dia, o prédio pode ser visitado. É a sede da SEAERJ – Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro, no largo da Glória.

A foto, incrível em muitos aspectos, técnicos e artísticos, é de R H Klumb, e está publicada no livro Revert Henrique Klumb, de Pedro Karp Vasquez, que faz parte da Coleção Visões do Brasil, editada pela Editora Capivara em 2001.

Uma curiosidade: em algum momento, quiseram que o personagem em primeiro plano continuasse anônimo. E cobriram seu rosto com uma mancha negra...



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Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 02/12/2008
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  28/01/2008
Outra Festa na Escola Mitre





A terceira foto da cerimonia na Escola General Mitre, em 25/jun/1925, foi feita dentro do prédio.

A legenda da foto, no livro onde foi publicada, diz: "Inauguração da Caixa Escolar da Escola General Mitre".

Chama a atenção o objeto suntuoso sobre a mesa. Seria um tinteiro? Com certeza, o mais grandioso que já vi. Me parece que, dentre as autoridades na mesa, o da direita (que parece primo do de bigode, na esquerda) já estava na foto da cerimonia de 1918, que o Luiz D' mostrou no Saudades do Rio . Seria o diretor da escola?

Lidando com fotos antigas, é muito comum encontrarmos pessoas com rostos e expressões completamente "datados". Mas, de vez em quando, encontramos um ou outro rosto que ainda é atual. É o caso da moça de branco lá no fundo, com aquele sorriso simpático.




(Publicado em Fotografias do Rio de Ontem, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - Governo Marcos Tamoyo)

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Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 28/01/2008
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  27/01/2008
Outra Festa na Escola Mitre





Aí está uma segunda foto da cerimonia na Escola General Mitre (C. E. G. Mitre, conforme anotado por Malta), em 25/jun/1925.

Agora já estão reunidos todos os convidados e autoridades. Tudo pronto para a Grande Fotografia. Prédio enfeitado com as guirlandas tradicionais, uniformes novos e impecáveis. Ali no alto da escada, parece ser uma placa ainda coberta, pronta para ser descerrada. Temos até mesmo uma bandeira da Argentina, que é, afinal, a pátria do patrono da escola.

Não é porque a escola fica no Morro do Pinto que a Prefeitura Municipal vai relaxar na qualidade das instalações ou dos professores e professoras contratados.



(Publicado em Fotografias do Rio de Ontem, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - Governo Marcos Tamoyo)

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Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 27/01/2008
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  26/01/2008
Outra Festa na Escola Mitre





Outro dia, o amigo Luiz D' mostrou, em seu Saudades do Rio, uma cerimonia na Escola Mitre, ou Escola General Mitre, datada de 27/ago/1918.

Aquela foto provocou uma corrente de comentários muito ricos sobre a Educação, hontem e hoje.

Achei que poderia acrescentar um pouco mais de pimenta aos comentários, trazendo esta outra foto, de outra festa na Escola Mitre, mas 7 anos depois, em 25/jun/1925. A festa foi muito concorrida, prestigiada e elegante, conforme vou mostrar nas próximas fotos. Mas, para esta primeira foto, Augusto Malta fotografou a criançada vizinha, que deve ter vindo ao local para ver a festa e as autoridades de perto. É preciso lembrar que esta escola fica na Rua Farnese, no Morro do Pinto, que, já naquela época, era considerado como favela.

O que é mais inusitado nesta foto é o comentário escrito, raríssimo nas fotos de Malta, principalmente por ser ele fotógrafo da Prefeitura: "Um contingente do Morro do Pinto que não vae a escola?..." Vai aí uma certa crítica social, enquanto documentava uma cerimonia oficial. E o comentário ficou na foto, guardada no AGCRJ.



(Publicado em Fotografias do Rio de Ontem, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - Governo Marcos Tamoyo)

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Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 26/01/2008
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  24/01/2008
Obras em Copacabana





Chegamos, finalmente, à última foto desta série, na qual Malta nos mostrou uma parte das obras feitas em 1928/1929 no bairro de Copacabana (e algumas ruas vizinhas), durante o governo do Pref. Antonio Prado Junior.

Esta foto é de 01/mar/1929, feita na Rua Toneleros. Mostra ruas absolutamente limpas, com as obras recém terminadas.

Com esta transversal que não atravessa a Toneleros, e mais o ângulo no traçado da rua, que se vê mais adiante, achei que a identificação do trecho seria fácil. Mas não é. O traçado da Toneleros, nos mapas atuais, é praticamente reto, com ângulos muito sutis. Minha melhor pista passou a ser o longo trecho de calçada, à esquerda, sem nenhuma rua. Meu melhor palpite ficou para o trecho entre a R Siqueira Campos (R. do Barrozo, na época) e a Praça Sacopenapan (atual Cardeal Arcoverde).

A foto teria sido tirada de costas para a Rua do Barrozo (veja no post de ontem a foto que Malta fez na esquina de Toneleros com Barrozo). À esquerda há, mesmo hoje, um longo trecho sem ruas transversais, devido à encosta do morro. Mas desconfio que mesmo algumas ruas que sobem o morro hoje (os finais da República do Peru e da Mal. Mascarenhas de Moraes) não atravessavam a Toneleros na época da foto. Se eu estiver certo, a rua à direita pode ser uma das 2 (antigas Nove de Fevereiro e Tibiriçá). Acho que é a segunda.

À esquerda, ficaria o terreno do Colégio Sacré Coeur de Marie. Adiante, depois da "curva", a praça Sacopenapan. Faz sentido.

A casa da esquina tem um nome no alto da fachada, mas nem em alta consegui ler. Os 2 portões da casa têm, cada um, um par de pequenos leões. Continuamos a ver os muros baixos que vimos em outros trechos do bairro. E quase ninguém na rua.

Agora, vamos buscar um outro tema...


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Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 24/01/2008
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  23/01/2008
Obras em Copacabana





Como prometido, Malta volta a Copacabana, para documentar um pouco mais das obras do Pref. Prado Junior.

Estamos em uma esquina da R. Toneleros. A foto não tem data, mas Malta fez outra foto da Toneleros em 01/mar/1929, 5 meses depois da foto anterior. Tudo indica que esta deve ser do mesmo dia.

As obras estão, aparentemente, completas, mas a placa da empreiteira ainda estava lá. "Rua Toneleros - Obras a cargo da - Neuchatel - Companhia Auxiliar de Viação e Obras - Rua Frei Caneca, 399 Tel Villa 5720 Rio de Janeiro". Uma placa simples, sem propaganda política.

A transversal em que Malta está tem bondes em 2 mãos. Meu palpite é que seja a antiga Rua Barroso, atual Siqueira Campos (que estava auto-exilado nesta época, vindo a morrer 1 ano depois, em acidente de avião no Rio da Prata) Os amigos especialistas é que podem confirmá-lo. Curiosamente, a Toneleros foi asfaltada, mas a transversal continua com os paralelepípedos.

Particularmente interessante é a caixa com pedestal, instalada na calçada, junto à placa da empreiteira. Seria um telefone policial? Com a palavra nossos amigos.

Outro destaque desta foto é que ela mostra muito mais personagens do que as demais fotos da série, incluindo crianças, 2 cavalheiros muito bem trajados, vários trabalhadores, alguns comerciantes carregando seus produtos, um deles em 2 enormes caldeirões.

Com efeito, a Rua Barroso era, na época, um dos principais focos de Copacabana. Por ali passavam as linhas de bonde que deram origem ao bairro. Ali, o comércio era mais antigo, mais bem estruturado. Bem aqui na esquina à direita, temos uma venda bem parecida com a que vimos na Rua da Passagem. Os anúncios imobiliários da época deviam valorizar a proximidade com a linha do bonde e com a própria Rua Barroso, como fazem em relação ao Metrô, hoje em dia.

Aguardem a próxima foto, que encerra esta série.


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  21/01/2008
Obras em Copacabana





Esta foto está com problemas de impressão tão fortes que é quase inaproveitável. Mas achei que não devia deixar de mostrá-la.

Como diz a legenda da foto, mostra as obras do Pref. Prado Junior na Rua Barcellos, conhecida hoje como Francisco Sá.

As obras mostradas são as mais extensas de toda a série. Podemos ver várias das tubulações usadas, algumas já colocadas dentro da respectiva vala.

Na calçada oposta, 3 homens sentados e 2 caixas que, provavelmente, guardam ferramentas e materiais pequenos.

Esta é a última foto que temos deste dia 18/out/1928. Malta foi, finalmente, descansar e se preparar para outras tarefas. Alguns dias depois, estaria fotografando uma visita do Presidente Washington Luis e do Pref. Prado Junior às obras de desmonte do Morro do Castelo. Mas a série ainda continuará, com 2 fotos da Toneleros, feitas 5 meses depois.



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  19/01/2008
Obras em Copacabana





Agora Malta nos traz as obras na R. Dias da Rocha. Pela posição da pedra, esta é a última quadra, entre a R. Barata Ribeiro e a R. Cinco de Julho, antiga R. Hermezilia (neta de Constante Ramos, dono das terras).

É a terceira vez, neste 18/out/1928, que Malta arma sua parafernália no meio da Barata Ribeiro. Que tinha um movimento mínimo, de cidade do interior. Isto apesar de não existir o túnel da Toneleros, que foi escavado muitos anos depois por dentro desta pedra aí em frente.

Obras do Pref. Prado Junior em pleno andamento, com vários trabalhadores aí neste trecho. As calçadas, muito largas, estão inacabadas.

O que será que houve com esta encosta da pedra? A área "branca" é muito grande. Desmoronamento recente? Exploração das pedras? Desmonte de algum morro?


Ali, bem perto da esquina à esquerda, o menino está montado, orgulhoso, em um brinquedo que não identifiquei, e que parece uma bicicleta de madeira, com rodas bem pequenas. À direita, um senhor olha para o fotógrafo, sentado na mureta de pedra e segurando o que parece ser um livro.

Muito simpáticas as muretas baixas das casas, demonstrando a segurança em que se sentiam os moradores de Copacabana.

A foto, infelizmente, no exemplar do livro de onde escaneei, tem problemas de impressão, que não consegui contornar completamente.


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Escrito por Flávio Sertã Furtado de Mendonça em 19/01/2008
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